segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Ressaca

"Que estado de estar, que grande degredo

Eu em ruína, e tu sem medo

De me amarrar à miséria

De estremecer o rochedo

De me tentar ao ridículo.

Que farisaismo!

E eu incrédulo ...


Que me vale o crer?

Ao que me parece

Este túnel não tem luz no fundo


Grito às silhuetas e questiono voraz de respostas

O porquê do nojo e da rejeição,

Depois o silêncio cai como um anoitecer

Este buraco é mais escuro que um coração assassino


E o equilíbrio que se ausenta, e a realidade que não o parece,

O meu corpo e os tremores, o pânico e a ânsia, a dor dentro de tudo em mim

O bater esquisito do motor, as sensações que não sei explicar

A força que costumava ter, a sede de vingança e conflito

O ódio com quem contava sempre e que jurava ser o meu fiel companheiro

Nem isso parece querer dar de si..


Por agora vou-me submetendo à circunstância do tempo

Que que agarra pelo pescoço, leva-me e sufoca

Pela viagem da vida aleatória e os caminhos imundos


E amanha, o amanha?Quem me diz onde estou?

Se ao menos hoje durasse para sempre,

Se ao menos a ressaca fosse permanente, mas diferente,

Eu poderia saber quem sou.."

M



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